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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ao som dos bandolins...


A madrugada sempre teve um encanto assustador para mim.
Quando criança imaginava que o bicho papão viesse me assombrar.
Por isso, quando a meia noite batia, era regra, estar no quinto sono.
Meu medo era tal que se eu visse aquela mensagem que passava na TV de término da programação, eu me enfiava por debaixo das cobertas amedrontada.
A música da sessão coruja sempre foi meio sombria.
O meu maior encanto quando cresci foi permanecer acordada enquanto todos estavam deitados dormindo.
E no silêncio sombrio e encantador dessa fase escura e solitária do dia colocar meus pensamentos e reflexões em dia.
Pois era (e quando possível, ainda é) nesse momento em que me deixava imaginar meus devaneios poéticos e filosóficos.
Ninguém atordoando além dos meus pensamentos e minha profusão de complexas questões sobre minhas vivências e lembranças...
Assim, até então, sigo na solidão do exercício de criar e escrever.
Sem qualquer sentido e nem destino, só indo e vindo de minha cabeça e sendo lançado para o vento chegando a lugar algum.
Quando me surpreendo, ao jogar a garrafa no mar, a rede leva toda minha produção parida aos berros internos porém calados pelo medo de ser percebida e essa faminta e famigerada dá conta de levar para muitos mares.
Os piratas, os navegantes, os náufragos, todos passam, vêem, usufruem como bem querem e os aplausos vez por outra os escuto...
De longe, bem de longe... Mas sempre consigo os ouvir, aqui anônima e escondida no meu leito ou aposento no meio da madrugada, vagando e dançando ao som dos bandolins, como Oswaldo já dizia...

Cristiana de Barcellos Passinato